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Antes críticos, agora a favor da judicialização?

Antes críticos, agora a favor da judicialização?

Novos trabalhos da comissão de sindicância expõem virulenta contradição ética da reitoria, revelam mais hipocrisia, e se posicionam exatamente onde o Papa Francisco vem apontando suas criticas 

Por Cauê Seignemartin Ameni*, (texto atualizado dia 25/04)

Mas uma vez consta meu nome – entre outros – na mesa da comissão de Comissão Permanente de Sindicância e Processo Administrativo, desta fui ouvido pela “Comissão criada para apurar a responsabilidade pela subtração da faixa informativa da Pastoral Universitária, em 19/12/2012” (…) “a respeito dos fatos narrados na denuncia” do documento PROC. R-11/2013.

Se da ultima vez fui citado “equivocadamente” pela Graber, o que me deu pleno direito de pedir que meu nome fosse removido do processo, tendo integrantes da reitoria como testemunha a meu favor, dessa vez me nomeiam num problema coletivo na qual diz respeito a política de cartazes, que devido a algumas promessas – e atos – da Rosana, pro-reitora comunitária, gerou grandes problemas sobre a questão, envolvendo até entidades (como a Pastoral) que não tem nenhuma relação direta com a atual crise política. Se alguém quiser realmente saber mais sobre cartazes, deveria se perguntar em primeiro lugar, por que milhares de cartazes estão saindo da PUC-SP nas latas do lixo, e porque as paredes da universidade estão lixadas – inclusive do centro acadêmico -, ou até mesmo perguntar o que o pessoal da Higilimp acha disso tudo, já que são eles que absorvem esse trabalho extra para reitoria. (Há de se notar que depois que esse texto rodou na internet, tendo mais de mil acessos, os cartazes não estão sendo mais arrancados).

Judicialização e hipocrisia
Além de relembrar que já foi “prometido” publicamente por integrantes da reitoria que os estudantes não seriam sindicados, gostaria de lembrar uma das principais criticas que o Coletivo de Professores que hoje integram a reitoria (Margarida, Alexandra, Tuto não oficialmente e etc) faziam a gestão do professor Dirceu. Numa conversa de campanha no CACS foi enfatizado diversas vezes a judicialização na forma cuja a antiga gestão administrava. Ao invés de um reitor, “tínhamos um desembargador”. Apesar de não ver exatamente isso, já que se mantinha a conversa no lugar dos processos, sempre concordei com a critica da judicialização na política, quem dirá na administração de uma Universidade. A judicialização torna-nos incapazes de solucionar, sem recorrer ao Poder Judiciário, conflitos de natureza política, implantando advogados e ordenamentos jurídicos nos problemas decorrentes da falta de dialogo, o que acaba por impedir uma compreensão mais aprofundada do problema. Ao se nivelar por baixo – na logica binária da denuncia/defesa -, se esquecem de sopesar os ônus decorrentes, instrumentaliza-se uma comissão para frear um debate, gerando um desgaste focalizado, enquanto a instituição continua afogada em crises. Entretanto, o que mais me chama a atenção, é a virulenta mudança ética de pessoas tão integras e competentes – diretores de faculdade diga-se de passagem-, enquanto continuamos com a mesma convicção, e exatamente por isso, não comparecemos no dia 19 acompanhado de um advogado, como sugeria a intimação, mas como estudantes a fim de debater o problema com alguns professores. Tanto a reitoria quanto a comissão processante é composta por professores, e por isso deveriam saber que se quiserem adotar este tipo de procedimento para tratar dos infinitos problemas desta instituição não será na base da ameaça que acharão as respostas, quem dirá judicializando as soluções. Abusam do “Poder Judiciário” interno da faculdade como trampolim para o exercício arbitrário e ilegítimo do poder político, já que não foram eleito.

Se quando escolhemos a PUC-SP tínhamos no imaginário político grandes nomes como Florestan Fernendes, Mauricio Tragtrenberg, Paulo Freire e um histórico político relevante, hoje encontramos Malufes, Herinque Alves e Felicianos na pratica, e um histórico cada vez menos relevante. Me pergunto, somos nós ou certos professores que estão no lugar errado?  A reação da reitoria frente a carta lida pelos estudantes no ultimo CONSUN (24/04), reforçou essa decepcionante realidade.

No domingo retrasado (14/04), o recém empossado Papa Francisco disse na Basílica de São Pedro algo me soou sábio para nosso atual contexto, “Inconsistência por parte de pastores e de fiéis entre o que dizem e o que fazem, entre a palavra e o estilo de vida, está prejudicando a credibilidade da Igreja”, acrescentando o que qualquer indivíduo interessado numa construção ética solida gostaria de ouvir “Aqueles que nos ouvem e nos observam devem ser capazes de ver em nossas ações o que escutam de nossos lábios”.

A mensagem não serve obviamente apenas à Igreja, mas para todas nossas instituições publicas e privadas que se atolam cada vez mais na descredibilidade institucional. A mensagem é quase um recado para aqueles que buscam egoistamente melhorar suas carreiras consumindo as bases dos valores éticos/morais de um dos fundamentos da civilização, o Logos, ou seja, o modo exclusivamente humano de se auto-ordenar, se relacionar, se comunicar, pensar, ou se preferirem, a forma da origem humana segundo a teologia cristã – adaptada no Evangelho de João, em que se refere a Jesus Cristo como o Logos, isto é, a Palavra: “No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra é Deus” João 1:1.

* Estudante de Ciências Sociais, vendedor de livros e editor da revista digital Outras Palavras