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Por Cauê Seignemartin Ameni.

Praticamente todos os Centros Acadêmicos assinaram a carta endereçada a professora Anna Cintra (1), convocando-a para uma conversa. A primeira pauta diz respeito ao documento feito pela Faculdade de Ciências Sociais, em que vê como única solução viável a atual crise de legitimidade a realização de novas eleições. Coincidentemente, a atual “reitoria” partilhou dessa mesma vontade no final das eleições.

Quem acompanhou o conturbado processo eleitoral deve se lembrar quando a própria chapa da professora Anna Cintra se posicionou a favor de novas eleições, no auge da polêmica das 336 cédula sem rubrica, chegando ao ponto de denunciar a “fraude” na imprensa e enviar um recurso ao Conselho Universitário (Consun), questionando o resultado da eleição para a Reitoria. Na época a professora denunciou uma suposta “fraude” no Estadão logo após a apuração dos votos, em que o presidente da comissão eleitoral, Marcio Camarosano, declarou uma “vitória provisória” ao professor Dirceu de Mello. Em sua declaração Anna Cintra disse “O processo tem uma série de indícios, mesmo sem provas acho que houve um golpe e nos retiramos” (1).

Vale lembrar que o diretor da Unidade de Sorocaba – onde os mesários não rubricaram a cédula – era o professor José Eduardo Martinez, atual “vice reitor”. E que as cédulas não rubricadas se concentravam nos votos dos funcionários, categoria que tem maior peso no balanço final. Durante a polêmica, a urna ficou guardada com a comissão eleitoral enquanto se discutia sua validade.

Em votação apertada, o CONSUN resolveu apurar os votos sem rubrica, obtendo o seguinte resultado; Anna Cintra e Martinez obtiveram 160 votos; Dirceu e Marcela 158 e Serralvo e Ana Bock apenas 06, o que manteve a ordem na lista tríplice.

É notório o enorme descontentamento por ambas as partes em relação ao processo eleitoral, e visível um certo grau de ingovernabilidade na instituição, hora por corpo mole e desconfiança, hora por oposição. A retaliação contra a vice-diretora da APROPUC Bia Abramides (3) e as sistemáticas paralizações das atividades do CONSUN tendem a desenterrar novos problemas, ao invés de apontar alguma solução para o impasse. Ora, não seria coerente agir num ponto onde ambos os lados convergiram – em momentos diferentes- sobre a necessidade de se chamar novas eleições?

Deixando as motivações pessoais de lado, a universidade só teria a ganhar com um processo eleitoral bem feito, organizado de forma justa e limpa, e que envolvesse a ampla participação da comunidade que hoje se mostra interessada.

Em momentos de crise política é mais do que oportuno lembrar os ensinamentos de Aristóteles, que via na essência da tarefa política a preocupação de garantir a felicidade coletiva.

1. https://www.facebook.com/photo.php?fbid=617107541637348&set=a.349034878444617.101658.348399615174810&type=1&theater

2. http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,denuncia-de-fraude–marca-eleicao-na-puc-sp-,924381,0.htm

3. A reitoria abriu um processo administrativo contra Bia Abramides, vice-diretora da Associação dos professores (APROPUC), por ter participado de um protesto junto com os estudantes.